por Camyla Cruz Ribeiro
Terapeuta Ocupacional e discente do curso de Síndrome de Down do Centro de Estudos e Pesquisas Clínicas de São Paulo
camyla_to@hotmail.com
Resumo apresentado originalmente no VII Congresso Internacional de Saúde da Criança e do Adolescente, entre 19 e 22 de maio de 2016, Vitoria - Espírito Santo - Brasil.
Para baixar o artigo original, clique aqui.
Para acessar os ANAIS do Congresso, clique aqui.
Palavras-chave: Síndrome de Down, Terapia Ocupacional e disfunção sensorial.
Introdução:
A infância é a fase mais importante para todos os indivíduos, proporciona através de novas experiências, a base para um ser socialmente aceito, motoramente efetivo em suas ações e psicologicamente estável. Nosso corpo é programado para receber cada novo acontecimento, e as experiências são absorvidas e transformadas em conexões sinápticas, que por sua vez amplia a rede neural - facilitadora do processo do desenvolvimento humano. Sabe-se que as pessoas com Síndrome de Down apresentam alterações no sistema nervoso central, ocasionando déficit no desenvolvimento neuropsicomotor. Um dos papéis da terapia ocupacional é estimular o individuo no âmbito biopsicossocial, de forma que desenvolva as funções cotidianas do sujeito, neste caso, a criança com Síndrome de Down. Os cinco sentidos do ser humano fornecem informações que são utilizados pelo cérebro e servem para organizar o comportamento e promover a aprendizagem. Sendo assim, o terapeuta ocupacional auxiliará a criança com Síndrome de Down a se reconhecer quanto indivíduo, manter ou desenvolver habilidades gerais.
Objetivo:
Pesquisar o impacto que o aspecto sensorial ocasiona a pessoa com Síndrome de Down em conjunto do papel interventivo do terapeuta ocupacional.
Método:
Revisão bibliográfica realizada na base de dados Scielo (Scientific Electronic Library Online), Medline, Lilacs e sites relacionados à área. Os critérios utilizados para a inclusão de artigos foram publicações de 2011 à 2016, descritos em português ou inglês.
Resultados:
Havendo o olhar para um sujeito autônomo e independente, é de caráter fundamental estimular a propriocepção tátil da criança com Síndrome de Down, uma vez que, frente às características da mesma o aspecto da recepção do toque caminha para uma desordem sensorial, principalmente de dor e de calor. O Terapeuta Ocupacional deve apresentar, manter ou re-significar as questões sensoriais táteis, levando em considerações o limite da criança. É de suma importância que este profissional (re) avalie minuciosamente e conscientize a família sobre a realidade do atendido, ou seja, as implicações da desordem e como auxiliar. Afirma-se que a desordem sensorial, torna-se um campo para a instalação do Atraso do Desenvolvimento Neuropsicomotor, isto é, dificuldade de executar a posição ortostática, a preensão palmar, exploração do ambiente e de objetos - o que interfere diretamente no brincar- do reconhecimento corporal e podendo também interferir negativamente na socialização.
Conclusão:
Fica claro que quanto mais aptidões, expande-se a rede sináptica, aumento da exploração de outras possibilidades, avançando para a execução de tarefas, seja ela rotineira ou esporádica. A estimulação precoce deve ter o enfoque no estímulo sensorial tátil, através do terapeuta ocupacional. Logo, será auxiliado para melhor intervenção das demais áreas, tal como fisioterapia, dando base neuropsicomotora ao individuo e proporcionando desenvolver habilidades para que seja socialmente aceito como pessoa que executa suas tarefas rotineiras com desejos e conceitos.
Este é um espaço criado por Celina Bartalotti e Barbara Cristina Mello, desde 2008, e está sendo retomado e repaginado, para a ampliação de discussões, inquietações, divulgação e construção de uma terapia ocupacional que busca, a cada dia, compreender e disponibilizar ações possíveis na área da deficiência intelectual, alterações no desenvolvimento infantil e inclusão social.
7 de jun. de 2016
30 de mai. de 2016
Você sabe o que é a Terapia Ocupacional?
Quem é você? O que você faz?
Compartilhamos com vocês um belo texto de Junia Cordeiro e Patrícia Barroso sobre a Terapia Ocupacional, produzido e publicado em 01/07/2012 no Ateliê397.
https://atelie397.com/quem-e-voce-o-que-voce-faz/
Sobre a semana da Luta Antimanicomial: uma conversa necessária
Compartilhamos um belíssimo texto publicado na Revista Cult, em 18/maio/2016.
Escrito por José Alberto Roza Júnior, psicólogo, doutorando em Psicologia na Universidade de São Paulo (USP), professor nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e coordenador da Residência Terapêutica de Perdizes.
Os loucos na cidade: o que muitos olhos não querem ver
http://revistacult.uol.com.br/home/2016/05/os-loucos-na-cidade-o-que-muitos-olhos-nao-querem-ver/
Escrito por José Alberto Roza Júnior, psicólogo, doutorando em Psicologia na Universidade de São Paulo (USP), professor nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e coordenador da Residência Terapêutica de Perdizes.
Os loucos na cidade: o que muitos olhos não querem ver
"A história da loucura remonta há séculos, já foi vista
como uma dádiva, escória, improdução que desaquecia o mercado de trabalho até
ser confinada nos muros dos manicômio"
http://revistacult.uol.com.br/home/2016/05/os-loucos-na-cidade-o-que-muitos-olhos-nao-querem-ver/
25 de mai. de 2016
PRODUÇÕES DE UMA TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA
Texto originalmente publicado em jan/2009 no Blog da Flavia Liberman
Barbara Cristina Mello
Terapeuta Ocupacional
Janeiro/2009
Em tempos onde as produções do
fazer na terapia ocupacional apresentam-se cada vez mais dinâmicos e
inventivos, cabe-nos a abertura dos campos de criação e interlocução entre o
novo e o antigo.
É importante destacar que as
bases da terapia ocupacional, mesmo tendo sido organizadas e instauradas em uma
outra época, ainda sim demonstra-se capaz de permitir ser re-pensada,
re-inventada e restaurada a cada momento, devido ao dinamismo de nossa
profissão.
Desta forma, sempre haverá coisas
que iremos concordar e de certa forma será investido por cada um de nós, e
também aqueles aspectos que não nos afeta, e serão colocadas em reserva deste
cotidiano vivido. Porém, a diversidade do saber, do fazer e das interlocuções é
que constituem a contemporaneidade da terapia ocupacional e do terapeuta
ocupacional.
As tessituras deste fazer vão se
compondo junto à prática desta clínica diversificada, que necessita e se faz de
bons engendramentos, apropriação de territórios, criação de redes,
fundamentação teórica, ampliação de leituras das relações e do ser humano e das intensidades dos
encontros e desencontros que acontecem no setting terapêutico.
Devemos estar atentos às
dinâmicas que vão se estabelecendo neste jogo de potências e nos ciclos que
acontecem em tudo aquilo que é vivo. O cotidiano que se estabelece faz do tempo
um grande aliado que se encarrega deste processo, montando e re-montando a
orquestra de intimidades da vida, dos diferentes fazeres, dos desejos, das
experiências e vivências, dos afetos, dos encontros e relações na clínica da
terapia ocupacional.
Neste jogo de contatos com o
outro, a partir da ótica da diversidade humana, nos possibilita grandes improvisações,
desde que saibamos que a improvisação aqui é vista como potente caminho de
criação de uma clínica da terapia ocupacional e não como disparador de atos
infundados, descontextualizados ou sem sentido.
E esta clínica que acolhe a
improvisação em seu cotidiano torna-se potente e oferece ao terapeuta e sua
clientela novos jeitos de fazer e viver que atravessados por estes diferentes
fluxos, se faz e re-faz em seu dia a dia.
Sugestões de leitura:
- CASTRO, Eliane Dias. Relação
Terapeuta-Paciente. In CAVALCANTI, Alessandra; GALVÃO, Cláudia. Terapia Ocupacional: fundamentação &
prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
- LIBERMAN, Flavia. Delicadas coreografias: instantâneos de uma
terapia ocupacional. São Paulo: Summus Editorial, 2008.
- LIMA, Elizabeth M. F. Araújo.
Desejando a Diferença. Revista de
Terapia Ocupacional da USP. São Paulo, vol. 14, nº 1, 2003.
24 de mai. de 2016
REATIVANDO CONEXÕES: O BLOG TERAPIA OCUPACIONAL E INCLUSÃO SOCIAL VOLTOU!
É com imenso prazer que podemos dizer que o Blog Terapia Ocupacional e Inclusão Social está de volta!
Sim!!! Muito tempo passou, muitas coisas aconteceram, e nós também recebemos novos desafios ao longo deste período e agora voltamos no pique total.
O Blog está repaginado, temos outras e novas inquietações, assim como também sobre nossa atuação nos diferentes campos foram se reconfigurando a partir de novas vivências, e voltaremos a conversar sobre tudo o que se passa por aqui em nossas pesquisas, atuações e longas discussões!
Contaremos com a participação de Terapeutas Ocupacionais, Psicólogos, Pedagogos, Fonoaudiólogos e diversos profissionais que possam contribuir com estas discussões, e obviamente com vocês, nossos leitores e seguidores!
Agora também temos uma página no Facebook, portanto, quando tivermos novidades, todos saberão por lá! Acessem e curtam: www.facebook.com/toeinclusao
Sejam bem vindos!
Vamos conversar sobre Terapia Ocupacional, Inclusão Social e Deficiência!!!
Abraços carinhosos,
Barbara Cristina Mello
Celina Camargo Bartalotti
24/05/2016
Sim!!! Muito tempo passou, muitas coisas aconteceram, e nós também recebemos novos desafios ao longo deste período e agora voltamos no pique total.
O Blog está repaginado, temos outras e novas inquietações, assim como também sobre nossa atuação nos diferentes campos foram se reconfigurando a partir de novas vivências, e voltaremos a conversar sobre tudo o que se passa por aqui em nossas pesquisas, atuações e longas discussões!
Contaremos com a participação de Terapeutas Ocupacionais, Psicólogos, Pedagogos, Fonoaudiólogos e diversos profissionais que possam contribuir com estas discussões, e obviamente com vocês, nossos leitores e seguidores!
Agora também temos uma página no Facebook, portanto, quando tivermos novidades, todos saberão por lá! Acessem e curtam: www.facebook.com/toeinclusaoSejam bem vindos!
Vamos conversar sobre Terapia Ocupacional, Inclusão Social e Deficiência!!!
Abraços carinhosos,
Barbara Cristina Mello
Celina Camargo Bartalotti
24/05/2016
16 de abr. de 2010

INCLUSÃO SOCIAL E MULTICULTURALISMO
Celina Camargo Bartalotti
Celina Camargo Bartalotti
Inclusão social tem sido um dos temas mais recorrentes na atualidade. Seja no âmbito do trabalho, da escola, do lazer, discute-se o princípio de que é importante garantir que todas as pessoas possam desfrutar dessa condição tão desejada – a de incluídos. Mas será que se tem clareza do que isso significa realmente? Afinal que princípios norteiam esse objetivo tão nobre?
Falar em inclusão social é, principalmente, falar em sociedade para todos; e “todos” é uma palavra que não admite exceção: “todos” significa TODOS mesmo. Já começamos a entender porque tanto se fala em incluir e porque isso, às vezes, parece muito difícil, senão utópico.
Vivemos em uma sociedade acostumada a classificar as pessoas por etnia [1], credo, origem, condições sócio-econômicas, condições físicas ou psíquicas; mais do que isso, acostumada a atribuir diferentes valores às pessoas enquadradas em cada uma dessas categorias. E valores negativos atribuídos a determinadas categorias geram exclusão social, ou seja, geram movimentos de afastamento, de rejeição, de recusa de oportunidades, de eliminação – excluir nada mais é do que tentar eliminar, senão da vida, pelo menos da convivência. Incluir é, portanto, o contrário disso – é aproximar, é conviver com igualdade de direitos e oportunidades.
E como esse tema se relaciona à questão do multiculturalismo? Segundo o dicionário Michaelis[2], multiculturalismo se define como a prática de acomodar qualquer número de culturas distintas, numa única sociedade, sem preconceito ou discriminação. Paulo Freire, no seu livro “Educação como Prática da Liberdade [3]” afirma que o multiculturalismo não se constitui em uma justaposição de culturas, mas na liberdade conquistada de convívio e respeito a cada cultura, o que só é possível quando diferentes culturas crescem juntas e não em constante tensão. E isso, ressalta Paulo Freire, não é algo natural ou espontâneo, mas fruto de uma ação que implica decisão, vontade política, mobilização, organização de cada grupo cultural com vistas a fins comuns. Assim, falar de multiculturalismo é ir além da constatação de que existem várias culturas convivendo no mesmo espaço ou tempo histórico, mas entender que essa convivência implica em respeito, igualdade de oportunidades, trocas sociais, ou seja, implica em verdadeira inclusão social.
Bem, já definimos inclusão como o movimento de construção da sociedade para todos, e multiculturalismo como a possibilidade de convivência e expressão de diversas culturas em uma sociedade, sem discriminação ou preconceito. Falta pensar nos mecanismos que possam promover essa situação – temos que falar aqui em mecanismos relacionados às políticas públicas e aqueles relacionados à convivência entre as pessoas.
É preciso que sejam desenvolvidas políticas públicas que garantam a efetiva participação social e, ao mesmo tempo, o legítimo direito de viver de acordo com sua cultura em um meio marcado pela diversidade. Cabe ao poder público definir políticas de eliminação de barreiras, sejam elas lingüísticas, religiosas, de costumes, de tal forma que cada cidadão tenha possibilidade de viver plenamente.No que se refere à convivência entre as pessoas, isso já é uma ação mais ligada aos nossos movimentos de aproximação ou afastamento em relação a aqueles que considero diferentes de mim e, por isso, menos valorosos, ou perigosos. Falamos aqui do que se convencionou chamar de barreiras atitudinais, ou seja, aquelas barreiras invisíveis que levantamos entre nós e os outros – essas devem ser derrubadas por cada um em seu dia-a-dia.
[1] Etnia é o conceito utilizado em substituição ao conceito de raça. Entre os homens, raça existe apenas uma, a Humana.
[2] http://michaelis.uol.com.br/
[3] FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. 21 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992
30 de jul. de 2009
A INCLUSÃO SOCIAL DA CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA:
REFLETINDO SOBRE O “SER CRIANÇA” NA CONDIÇÃO DA DEFICIÊNCIA
Por Celina Camargo Bartalotti
A análise do “ser criança” na condição de deficiência envolve compreender dois aspectos: a concepção de criança e a concepção de deficiência. Vivemos em uma sociedade que vê a criança como um “vir-a-ser”, como um indivíduo em formação que se prepara para ser algo que ainda não é. O presente da criança, então, mostra-se como possibilidade, como uma base para o que ela será no futuro. E quando pensamos na criança com deficiência? Como se dá o olhar sobre essa criança que foge ao padrão esperado, ao desejado; uma criança que contraria, em primeira instância, o sonho, em uma sociedade marcada pela busca de uma perfeição, tantas vezes inatingível?
Essas são as questões que nortearam o arquivo que disponibilizamos aqui, apresentado no IV Congresso Brasileiro de Reabilitação, em junho de 2009.
Por Celina Camargo Bartalotti
A análise do “ser criança” na condição de deficiência envolve compreender dois aspectos: a concepção de criança e a concepção de deficiência. Vivemos em uma sociedade que vê a criança como um “vir-a-ser”, como um indivíduo em formação que se prepara para ser algo que ainda não é. O presente da criança, então, mostra-se como possibilidade, como uma base para o que ela será no futuro. E quando pensamos na criança com deficiência? Como se dá o olhar sobre essa criança que foge ao padrão esperado, ao desejado; uma criança que contraria, em primeira instância, o sonho, em uma sociedade marcada pela busca de uma perfeição, tantas vezes inatingível?
Essas são as questões que nortearam o arquivo que disponibilizamos aqui, apresentado no IV Congresso Brasileiro de Reabilitação, em junho de 2009.
3 de jun. de 2009

QUEM TEM O DIREITO DE ESTAR NA BALADA?
Da BBC Brasil: Discoteca na Espanha tem noite exclusiva para deficientes
Domingo é dia de matinê especial em Barcelona. Uma das discotecas mais badaladas da cidade espanhola reserva a noite para que portadores de deficiências mentais possam dançar e paquerar livremente. (...) A matinê especial funciona há um ano e foi criada pela Fundação Ludalia, que auxilia portadores de deficiências mentais. A festa, que começa às 17h30 e termina às 21h, é exclusiva para pessoas entre 18 e 45 anos com Síndrome de Down, paralisia cerebral e outras deficiências.
Mãe de um portador de deficiência mental, a diretora da fundação, Consól Ferrer, afirma que o projeto nasceu por causa da falta de alternativas de lazer para estas pessoas. Segundo ela, alguns lugares "tratam os deficientes de maneira infantil". A ideia da matinê especial surgiu em 2001. A primeira tentativa, no entanto, fracassou quando os organizadores tentaram criar uma noite de integração entre deficientes e pessoas sem deficiências. "Foi um desastre. Ali ficou claro que eles precisavam de um espaço próprio. Eles têm a mesma vontade de dançar, se divertir, estar com amigos e paquerar, como qualquer outro jovem", afirmou à BBC Brasil a monitora Ruth Ruiz. A diretora da Fundação Ludalia também afirma que a experiência fez com que eles decidissem criar uma noite exclusiva para os jovens deficientes. "Sei que parece uma contradição, fazer uma noite exclusiva quando pedimos integração. Mas, misturar jovens deficientes com os que não são para que façam amigos e arranjem namorados, não é um objetivo realista", afirma.
Reportagem completa em:
http://musica.uol.com.br/ultnot/bbc/2009/05/22/ult2628u574.jhtm
Pois é, logo teremos baladas para obesos (afinal, eles podem se sentir intimidados entre magros...); baladas para muito altos, ou muito baixos...
Por que será que a tentativa da “balada inclusiva” fracassou? Será porque os “sem deficiência” ficaram incomodados com a presença dos diferentes? Não se sabe, isso a reportagem não conta.
Diz a diretora da Fundação (e mãe...): “misturar jovens deficientes com os que não são para que façam amigos não é um objetivo realista”...
Aparentemente jovens “deficientes” (SIC) só podem ser amigos de outros jovens “deficientes” e de preferência com o mesmo tipo de deficiência – observem que a tal balada era apenas para pessoas com deficiência intelectual.
O pior preconceito é aquele que se esconde atrás do discurso da beneficência e da proteção: não queremos que eles se sintam rejeitados no mundo cruel, assim vamos criar mundinhos só para eles, pois entre os iguais ninguém perceberá que sua presença, na verdade, é um inconveniente.
É, temos ainda muito o que caminhar para poder, um dia, falar em sociedade realmente inclusiva...
Pois é, logo teremos baladas para obesos (afinal, eles podem se sentir intimidados entre magros...); baladas para muito altos, ou muito baixos...
Por que será que a tentativa da “balada inclusiva” fracassou? Será porque os “sem deficiência” ficaram incomodados com a presença dos diferentes? Não se sabe, isso a reportagem não conta.
Diz a diretora da Fundação (e mãe...): “misturar jovens deficientes com os que não são para que façam amigos não é um objetivo realista”...
Aparentemente jovens “deficientes” (SIC) só podem ser amigos de outros jovens “deficientes” e de preferência com o mesmo tipo de deficiência – observem que a tal balada era apenas para pessoas com deficiência intelectual.
O pior preconceito é aquele que se esconde atrás do discurso da beneficência e da proteção: não queremos que eles se sintam rejeitados no mundo cruel, assim vamos criar mundinhos só para eles, pois entre os iguais ninguém perceberá que sua presença, na verdade, é um inconveniente.
É, temos ainda muito o que caminhar para poder, um dia, falar em sociedade realmente inclusiva...
6 de mar. de 2009
sobre iguais e diferentes...

Igual-desigual
(Carlos Drummond de Andrade)
Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.
Comentando: é desse reconhecimento de que cada ser humano é impar que brota a nossa capacidade de acreditar em cada um deles como possibilidade...
24 de nov. de 2008
VÍDEO SOBRE DEFICIÊNCIA E INCLUSÃO
Entre o ser e o estar,
Entre a idéia e a concretude,
As ações do cotidiano que se perpetuam,
Inclusão, uma escolha de vida.
Barbara Cristina Mello
Terapeuta Ocupacional
Este vídeo foi produzido com a ajuda de muitas pessoas, pois queríamos que diferentes olhares pudessem compartilhar aquilo que fazemos em nosso dia a dia quando acionamos na relações do fazer e do ser.
Agradecemos especialmente a todos os fotógrafos que colaboraram com este projeto, cedendo suas imagens tão preciosas.
Obrigado a todos!
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Retratos do Cotidiano
29 de out. de 2008
Terapia Ocupacional - em busca da complexidade do simples

A Terapia Ocupacional é uma profissão da área da saúde, que trabalha com aspectos bastante particulares e, ao mesmo tempo, aparentemente simples da vida humana – as atividades realizadas pelas pessoas em seu cotidiano.
Digo aparentemente simples porque para aqueles que realizam suas ações cotidianas sem grandes dificuldades, ou que encontram, por si, soluções para os obstáculos que vão encontrando ao longo do seu caminho, pensar que um profissional dedica uma vida de estudos e intervenções para compreender atividades, rotinas, cotidiano, pode parecer até banal.
Mas quando pensamos naquelas pessoas que, pelos mais variados motivos, encontram-se de alguma forma impedidas de exercer plenamente suas potencialidades, pessoas que enfrentam obstáculos para realizar aquilo que para nós é tão simples, começamos a nos aproximar da complexidade da Terapia Ocupacional.
Eu construí, há algum tempo, uma frase que venho repetindo ao longo da minha vida profissional, quando quero expressar o que, para mim, é a essência da profissão: ser terapeuta ocupacional é acreditar, incondicionalmente, na possibilidade do outro, na sua capacidade de construir formas de viver plenamente seus sonhos.
E é por acreditar na possibilidade do outro que podemos compreender a complexidade existente naquilo que é, em essência, simples – andar, alimentar-se, trabalhar, brincar, dançar, usar um computador, pintar, vestir-se, banhar-se... ações tão banais e ao mesmo tempo tão cheias de significado na vida de cada um de nós.
Só quando nos deparamos, por exemplo, com alguém que não consegue levar o próprio alimento à boca, dependendo de outro para realizar uma atividade tão íntima como alimentar-se, é que percebemos que as coisas simples do cotidiano são, essencialmente, aquelas que nos significam como sujeitos.
Possibilitar ao outro (re) tornar-se sujeito de sua própria vida – isso é ser um terapeuta ocupacional.
Celina Camargo Bartalotti
Terapeuta Ocupacional
26 de set. de 2008
25 de ago. de 2008
DEFICIÊNCIA E IDENTIDADE
O nosso nome é algo que não escolhemos, mas que carregamos e que faz parte de nós por todos os caminhos de nossa vida.
O primeiro nome, no entanto, não é nossa única identificação, temos também o nome da nossa família, que nos garante o sentimento de pertencer a algo – nesse caso, um espaço familiar. O primeiro nome nos distingue, o segundo nos iguala.
Mas, na vida, vamos ganhando outros nomes. Quem nunca teve um apelido? Qual o motivo desse apelido? Ter um apelido pode ser bom, amistoso, ou pode ser ruim, dependendo do valor que esse apelido carrega.
Existem ainda outros nomes, nomes que se relacionam com nosso fazer, e que são essenciais para a construção de nossa identidade: estudante, professor, terapeuta ocupacional, psicólogo, mãe, pai, irmão, filho etc. São nomes que também nos fazem pertencer a algo, a uma categoria, com a qual nos identificamos.
E assim vamos construindo nossa identidade: com nomes que nos são atribuídos, outros que escolhemos, alguns que vamos abandonando ao longo da vida (mas que são parte de nossa história)... os nomes que carregamos são muito importantes na nossa constituição como sujeitos.
Antes de eu me chamar eu já era chamada por aqueles que estavam à minha volta – do que eu era chamada se tornou aquilo pelo que me chamo. Pensar em nós mesmos com outro nome dá uma sensação de estranheza, como se não fosse mais você. Assim, os nomes que me são atribuídos vão se tornando parte daquilo que sou, parte de minha identidade.
Podemos dizer, então, que a identidade não é um fenômeno individual, mas um fenômeno social, que se desenvolve nas relações entre as pessoas. E também não é algo imutável, pois o homem é um ser em movimento, em constante aprendizado. Assim, somos nós mesmos, somos aquilo que somos, mas aquilo que somos se enriquece, modifica, acrescenta...
Mas porque falo nisso? Porque aqui quero discutir a importância das palavras, dos nomes atribuídos e escolhidos, e, particularmente, dos nomes atribuídos à deficiência e às pessoas que constroem sua vida nessa condição peculiar.
Se pensarmos no nascimento de uma criança com deficiência, a primeira palavra que lhe é atribuída, o nome, já vem normalmente adjetivada pela deficiência (muitas vezes o nome deficiência vem antes do nome próprio – antes de ser o João, ele já é o Down). Assim, não há identidade para além da deficiência, essa condição é algo que fará parte do individuo. O mesmo acontece, embora não da mesma maneira, com as deficiências adquiridas – quem sou eu, será que sou o mesmo de antes? A reconstrução da percepção de si, do seu papel na sociedade, passa pela reconstrução de sua identidade na condição da deficiência.
Ora, se pensarmos nos nomes que são atribuídos às pessoas com deficiência – incapazes, coitados, anjos, problemas, doentes, excepcionais etc., podemos entender o impacto desses na construção ou reconstrução da identidade – do que me chamam? Que valor é atribuído a esse nome? Que portas esse nome me abre ou fecha? Que auto-imagem me permite construir?
O que nos reporta à terminologia utilizada para designar essa parcela da população; não mais o “deficiente”, substantivo totalizador, não mais o “portador de deficiência”, afinal a deficiência não é algo que se porta, como um documento. “Pessoa com deficiência”, essa é a forma mais adequada, pois a deficiência não é um apêndice, mas algo que faz parte do sujeito, algo que o identifica tanto quanto outras coisas (o nome, a atividade, os gostos, características pessoais...).
O que nos leva a outros termos – especial, com necessidades especiais – esses são os termos da negação – é uma pessoa com deficiência, mas é como se não fosse, porque é especial. A deficiência, apresentada como algo indesejável, não deve ser nomeada; assim, ao chamar o sujeito de especial foge-se do confronto com sua real condição, que obviamente é incômoda, gera estranheza, desconforto. Afinal ninguém quer ser uma pessoa com deficiência intelectual, mas todos gostamos de nos sentir especiais, não é?
Nomear corretamente é uma tarefa importante, nem sempre fácil, mas essencial para as pessoas com deficiência. Nomes exprimem significados; significados permeiam atitudes; atitudes desencadeiam ações.
Profa Dra Celina Camargo Bartalotti
Terapeuta Ocupacional
Para ler mais sobre identidade:
CIAMPA, A. C. In: Lane, Silvia. (org.) Psicologia Social: O Homem em Movimento. Psicologia e Sociedade, v. 19, p. 17-18, 2007
CIAMPA, A. C. A Estória do Severino e a História da Severina - Um Ensaio de Psicologia Social. 1/8. ed. São Paulo: Brasiliense, 2005. v. 1. 248 p.
O primeiro nome, no entanto, não é nossa única identificação, temos também o nome da nossa família, que nos garante o sentimento de pertencer a algo – nesse caso, um espaço familiar. O primeiro nome nos distingue, o segundo nos iguala.
Mas, na vida, vamos ganhando outros nomes. Quem nunca teve um apelido? Qual o motivo desse apelido? Ter um apelido pode ser bom, amistoso, ou pode ser ruim, dependendo do valor que esse apelido carrega.
Existem ainda outros nomes, nomes que se relacionam com nosso fazer, e que são essenciais para a construção de nossa identidade: estudante, professor, terapeuta ocupacional, psicólogo, mãe, pai, irmão, filho etc. São nomes que também nos fazem pertencer a algo, a uma categoria, com a qual nos identificamos.
E assim vamos construindo nossa identidade: com nomes que nos são atribuídos, outros que escolhemos, alguns que vamos abandonando ao longo da vida (mas que são parte de nossa história)... os nomes que carregamos são muito importantes na nossa constituição como sujeitos.
Antes de eu me chamar eu já era chamada por aqueles que estavam à minha volta – do que eu era chamada se tornou aquilo pelo que me chamo. Pensar em nós mesmos com outro nome dá uma sensação de estranheza, como se não fosse mais você. Assim, os nomes que me são atribuídos vão se tornando parte daquilo que sou, parte de minha identidade.
Podemos dizer, então, que a identidade não é um fenômeno individual, mas um fenômeno social, que se desenvolve nas relações entre as pessoas. E também não é algo imutável, pois o homem é um ser em movimento, em constante aprendizado. Assim, somos nós mesmos, somos aquilo que somos, mas aquilo que somos se enriquece, modifica, acrescenta...
Mas porque falo nisso? Porque aqui quero discutir a importância das palavras, dos nomes atribuídos e escolhidos, e, particularmente, dos nomes atribuídos à deficiência e às pessoas que constroem sua vida nessa condição peculiar.
Se pensarmos no nascimento de uma criança com deficiência, a primeira palavra que lhe é atribuída, o nome, já vem normalmente adjetivada pela deficiência (muitas vezes o nome deficiência vem antes do nome próprio – antes de ser o João, ele já é o Down). Assim, não há identidade para além da deficiência, essa condição é algo que fará parte do individuo. O mesmo acontece, embora não da mesma maneira, com as deficiências adquiridas – quem sou eu, será que sou o mesmo de antes? A reconstrução da percepção de si, do seu papel na sociedade, passa pela reconstrução de sua identidade na condição da deficiência.
Ora, se pensarmos nos nomes que são atribuídos às pessoas com deficiência – incapazes, coitados, anjos, problemas, doentes, excepcionais etc., podemos entender o impacto desses na construção ou reconstrução da identidade – do que me chamam? Que valor é atribuído a esse nome? Que portas esse nome me abre ou fecha? Que auto-imagem me permite construir?
O que nos reporta à terminologia utilizada para designar essa parcela da população; não mais o “deficiente”, substantivo totalizador, não mais o “portador de deficiência”, afinal a deficiência não é algo que se porta, como um documento. “Pessoa com deficiência”, essa é a forma mais adequada, pois a deficiência não é um apêndice, mas algo que faz parte do sujeito, algo que o identifica tanto quanto outras coisas (o nome, a atividade, os gostos, características pessoais...).
O que nos leva a outros termos – especial, com necessidades especiais – esses são os termos da negação – é uma pessoa com deficiência, mas é como se não fosse, porque é especial. A deficiência, apresentada como algo indesejável, não deve ser nomeada; assim, ao chamar o sujeito de especial foge-se do confronto com sua real condição, que obviamente é incômoda, gera estranheza, desconforto. Afinal ninguém quer ser uma pessoa com deficiência intelectual, mas todos gostamos de nos sentir especiais, não é?
Nomear corretamente é uma tarefa importante, nem sempre fácil, mas essencial para as pessoas com deficiência. Nomes exprimem significados; significados permeiam atitudes; atitudes desencadeiam ações.
Profa Dra Celina Camargo Bartalotti
Terapeuta Ocupacional
Para ler mais sobre identidade:
CIAMPA, A. C. In: Lane, Silvia. (org.) Psicologia Social: O Homem em Movimento. Psicologia e Sociedade, v. 19, p. 17-18, 2007
CIAMPA, A. C. A Estória do Severino e a História da Severina - Um Ensaio de Psicologia Social. 1/8. ed. São Paulo: Brasiliense, 2005. v. 1. 248 p.
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Retratos do Cotidiano
21 de ago. de 2008
PARA FALAR DE DEFICIÊNCIA E COTIDIANO
Este é um tema bastante amplo sobre o qual a cada dia construo um novo olhar, um novo conceito, novos caracteres deste quebra-cabeça do vivo.
Existem temas bastante polêmicos que atualmente vêm me contaminando, de forma que pequenas intrigações e inquietações me fazer pensar naquilo que há algum tempo sugerimos neste blog tratar. Iniciamos com o grande tema “RETRATOS DO COTIDIANO”, e esta palavra me inspira a querer saber do que disponho para esse dia a dia. Como é possível fazer um retrato, uma fotografia de algo que pode acontecer e realmente fazer a diferença e quem sabe constituir-se como uma experiência?
Um pouco disso aconteceu por duas semanas seguidas nas quais pude acompanhar dois grupos de adolescentes e jovens com deficiência intelectual, numa jornada que dificilmente uma família que mora num extremo da cidade faria: cruzá-la para simplesmente chegar a um museu e ver quadros.
É... mas não foi bem assim, conto com um Programa Educativo existente na Pinacoteca do Estado de São Paulo, que recebe Públicos Especiais, o PEPE, que com seu formato oferece um espaço educativo onde a arte e cultura aproximam-se da condição que cada um tem de se apropriar do tema sugerido.
E agora eu pergunto se isto (o programa que oferece adaptação de materiais do museu) e aquilo (a minha disponibilidade e a de uma equipe que sustenta o propósito de acompanhar pessoas com deficiência em seu cotidiano e desenvolvimento, de assumir um grupo de garotos para cruzar a cidade através de trens metropolitanos) não se conectassem, que construção do cotidiano existiria?
É por isso que eu digo: “TENHAMOS CLAREZA DE NOSSAS POSSIBILIDADES E DE NOSSAS DISPONIBILIDADES PARA PODERMOS OFERECER BONS ENCONTROS SOCIAIS, EDUCATIVOS E CULTURAIS À PESSOA COM DEFICIÊNCIA EM SEU DIA-A-DIA”. São destes, e de outros pequenos fazeres que a vida se constrói.
Barbara Cristina Mello
Terapeuta Ocupacional
Existem temas bastante polêmicos que atualmente vêm me contaminando, de forma que pequenas intrigações e inquietações me fazer pensar naquilo que há algum tempo sugerimos neste blog tratar. Iniciamos com o grande tema “RETRATOS DO COTIDIANO”, e esta palavra me inspira a querer saber do que disponho para esse dia a dia. Como é possível fazer um retrato, uma fotografia de algo que pode acontecer e realmente fazer a diferença e quem sabe constituir-se como uma experiência?
Um pouco disso aconteceu por duas semanas seguidas nas quais pude acompanhar dois grupos de adolescentes e jovens com deficiência intelectual, numa jornada que dificilmente uma família que mora num extremo da cidade faria: cruzá-la para simplesmente chegar a um museu e ver quadros.
É... mas não foi bem assim, conto com um Programa Educativo existente na Pinacoteca do Estado de São Paulo, que recebe Públicos Especiais, o PEPE, que com seu formato oferece um espaço educativo onde a arte e cultura aproximam-se da condição que cada um tem de se apropriar do tema sugerido.
E agora eu pergunto se isto (o programa que oferece adaptação de materiais do museu) e aquilo (a minha disponibilidade e a de uma equipe que sustenta o propósito de acompanhar pessoas com deficiência em seu cotidiano e desenvolvimento, de assumir um grupo de garotos para cruzar a cidade através de trens metropolitanos) não se conectassem, que construção do cotidiano existiria?
É por isso que eu digo: “TENHAMOS CLAREZA DE NOSSAS POSSIBILIDADES E DE NOSSAS DISPONIBILIDADES PARA PODERMOS OFERECER BONS ENCONTROS SOCIAIS, EDUCATIVOS E CULTURAIS À PESSOA COM DEFICIÊNCIA EM SEU DIA-A-DIA”. São destes, e de outros pequenos fazeres que a vida se constrói.
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