30 de mai. de 2016

Sobre a semana da Luta Antimanicomial: uma conversa necessária

Compartilhamos um belíssimo texto publicado na Revista Cult, em 18/maio/2016.

Escrito por José Alberto Roza Júnior, psicólogo, doutorando em Psicologia na Universidade de São Paulo (USP), professor nas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) e coordenador da Residência Terapêutica de Perdizes.

Os loucos na cidade: o que muitos olhos não querem ver
"A história da loucura remonta há séculos, já foi vista como uma dádiva, escória, improdução que desaquecia o mercado de trabalho até ser confinada nos muros dos manicômio"

http://revistacult.uol.com.br/home/2016/05/os-loucos-na-cidade-o-que-muitos-olhos-nao-querem-ver/

25 de mai. de 2016

PRODUÇÕES DE UMA TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA


Texto originalmente publicado em jan/2009 no Blog da Flavia Liberman

Barbara Cristina Mello
Terapeuta Ocupacional
Janeiro/2009

Em tempos onde as produções do fazer na terapia ocupacional apresentam-se cada vez mais dinâmicos e inventivos, cabe-nos a abertura dos campos de criação e interlocução entre o novo e o antigo.
É importante destacar que as bases da terapia ocupacional, mesmo tendo sido organizadas e instauradas em uma outra época, ainda sim demonstra-se capaz de permitir ser re-pensada, re-inventada e restaurada a cada momento, devido ao dinamismo de nossa profissão.
Desta forma, sempre haverá coisas que iremos concordar e de certa forma será investido por cada um de nós, e também aqueles aspectos que não nos afeta, e serão colocadas em reserva deste cotidiano vivido. Porém, a diversidade do saber, do fazer e das interlocuções é que constituem a contemporaneidade da terapia ocupacional e do terapeuta ocupacional.
As tessituras deste fazer vão se compondo junto à prática desta clínica diversificada, que necessita e se faz de bons engendramentos, apropriação de territórios, criação de redes, fundamentação teórica, ampliação de leituras das relações e do ser humano e das intensidades dos encontros e desencontros que acontecem no setting terapêutico.
Devemos estar atentos às dinâmicas que vão se estabelecendo neste jogo de potências e nos ciclos que acontecem em tudo aquilo que é vivo. O cotidiano que se estabelece faz do tempo um grande aliado que se encarrega deste processo, montando e re-montando a orquestra de intimidades da vida, dos diferentes fazeres, dos desejos, das experiências e vivências, dos afetos, dos encontros e relações na clínica da terapia ocupacional.
Neste jogo de contatos com o outro, a partir da ótica da diversidade humana, nos possibilita grandes improvisações, desde que saibamos que a improvisação aqui é vista como potente caminho de criação de uma clínica da terapia ocupacional e não como disparador de atos infundados, descontextualizados ou sem sentido.
E esta clínica que acolhe a improvisação em seu cotidiano torna-se potente e oferece ao terapeuta e sua clientela novos jeitos de fazer e viver que atravessados por estes diferentes fluxos, se faz e re-faz em seu dia a dia.


Sugestões de leitura:

- CASTRO, Eliane Dias. Relação Terapeuta-Paciente. In CAVALCANTI, Alessandra; GALVÃO, Cláudia. Terapia Ocupacional: fundamentação & prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
- LIBERMAN, Flavia. Delicadas coreografias: instantâneos de uma terapia ocupacional. São Paulo: Summus Editorial, 2008.

- LIMA, Elizabeth M. F. Araújo. Desejando a Diferença. Revista de Terapia Ocupacional da USP. São Paulo, vol. 14, nº 1, 2003. 

24 de mai. de 2016

REATIVANDO CONEXÕES: O BLOG TERAPIA OCUPACIONAL E INCLUSÃO SOCIAL VOLTOU!

É com imenso prazer que podemos dizer que o Blog Terapia Ocupacional e Inclusão Social está de volta!
Sim!!! Muito tempo passou, muitas coisas aconteceram, e nós também recebemos novos desafios ao longo deste período e agora voltamos no pique total.

O Blog está repaginado, temos outras e novas inquietações, assim como também sobre nossa atuação nos diferentes campos foram se reconfigurando a partir de novas vivências, e voltaremos a conversar sobre tudo o que se passa por aqui em nossas pesquisas, atuações e longas discussões!

Contaremos com a participação de Terapeutas Ocupacionais, Psicólogos, Pedagogos, Fonoaudiólogos e diversos profissionais que possam contribuir com estas discussões, e obviamente com vocês, nossos leitores e seguidores!

Agora também temos uma página no Facebook, portanto, quando tivermos novidades, todos saberão por lá! Acessem e curtam: www.facebook.com/toeinclusao


Sejam bem vindos!
Vamos conversar sobre Terapia Ocupacional, Inclusão Social e Deficiência!!!



Abraços carinhosos,

Barbara Cristina Mello
Celina Camargo Bartalotti
24/05/2016

16 de abr. de 2010


INCLUSÃO SOCIAL E MULTICULTURALISMO
Celina Camargo Bartalotti

Inclusão social tem sido um dos temas mais recorrentes na atualidade. Seja no âmbito do trabalho, da escola, do lazer, discute-se o princípio de que é importante garantir que todas as pessoas possam desfrutar dessa condição tão desejada – a de incluídos. Mas será que se tem clareza do que isso significa realmente? Afinal que princípios norteiam esse objetivo tão nobre?
Falar em inclusão social é, principalmente, falar em sociedade para todos; e “todos” é uma palavra que não admite exceção: “todos” significa TODOS mesmo. Já começamos a entender porque tanto se fala em incluir e porque isso, às vezes, parece muito difícil, senão utópico.
Vivemos em uma sociedade acostumada a classificar as pessoas por etnia [1], credo, origem, condições sócio-econômicas, condições físicas ou psíquicas; mais do que isso, acostumada a atribuir diferentes valores às pessoas enquadradas em cada uma dessas categorias. E valores negativos atribuídos a determinadas categorias geram exclusão social, ou seja, geram movimentos de afastamento, de rejeição, de recusa de oportunidades, de eliminação – excluir nada mais é do que tentar eliminar, senão da vida, pelo menos da convivência. Incluir é, portanto, o contrário disso – é aproximar, é conviver com igualdade de direitos e oportunidades.
E como esse tema se relaciona à questão do multiculturalismo? Segundo o dicionário Michaelis[2], multiculturalismo se define como a prática de acomodar qualquer número de culturas distintas, numa única sociedade, sem preconceito ou discriminação. Paulo Freire, no seu livro “Educação como Prática da Liberdade [3]” afirma que o multiculturalismo não se constitui em uma justaposição de culturas, mas na liberdade conquistada de convívio e respeito a cada cultura, o que só é possível quando diferentes culturas crescem juntas e não em constante tensão. E isso, ressalta Paulo Freire, não é algo natural ou espontâneo, mas fruto de uma ação que implica decisão, vontade política, mobilização, organização de cada grupo cultural com vistas a fins comuns. Assim, falar de multiculturalismo é ir além da constatação de que existem várias culturas convivendo no mesmo espaço ou tempo histórico, mas entender que essa convivência implica em respeito, igualdade de oportunidades, trocas sociais, ou seja, implica em verdadeira inclusão social.
Bem, já definimos inclusão como o movimento de construção da sociedade para todos, e multiculturalismo como a possibilidade de convivência e expressão de diversas culturas em uma sociedade, sem discriminação ou preconceito. Falta pensar nos mecanismos que possam promover essa situação – temos que falar aqui em mecanismos relacionados às políticas públicas e aqueles relacionados à convivência entre as pessoas.
É preciso que sejam desenvolvidas políticas públicas que garantam a efetiva participação social e, ao mesmo tempo, o legítimo direito de viver de acordo com sua cultura em um meio marcado pela diversidade. Cabe ao poder público definir políticas de eliminação de barreiras, sejam elas lingüísticas, religiosas, de costumes, de tal forma que cada cidadão tenha possibilidade de viver plenamente.No que se refere à convivência entre as pessoas, isso já é uma ação mais ligada aos nossos movimentos de aproximação ou afastamento em relação a aqueles que considero diferentes de mim e, por isso, menos valorosos, ou perigosos. Falamos aqui do que se convencionou chamar de barreiras atitudinais, ou seja, aquelas barreiras invisíveis que levantamos entre nós e os outros – essas devem ser derrubadas por cada um em seu dia-a-dia.

[1] Etnia é o conceito utilizado em substituição ao conceito de raça. Entre os homens, raça existe apenas uma, a Humana.
[2] http://michaelis.uol.com.br/
[3] FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. 21 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992

30 de jul. de 2009

A INCLUSÃO SOCIAL DA CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA:

REFLETINDO SOBRE O “SER CRIANÇA” NA CONDIÇÃO DA DEFICIÊNCIA

Por Celina Camargo Bartalotti

One O'Clock.....
Upload feito originalmente por charlotte.morse

A análise do “ser criança” na condição de deficiência envolve compreender dois aspectos: a concepção de criança e a concepção de deficiência. Vivemos em uma sociedade que vê a criança como um “vir-a-ser”, como um indivíduo em formação que se prepara para ser algo que ainda não é. O presente da criança, então, mostra-se como possibilidade, como uma base para o que ela será no futuro. E quando pensamos na criança com deficiência? Como se dá o olhar sobre essa criança que foge ao padrão esperado, ao desejado; uma criança que contraria, em primeira instância, o sonho, em uma sociedade marcada pela busca de uma perfeição, tantas vezes inatingível?

Essas são as questões que nortearam o arquivo que disponibilizamos aqui, apresentado no IV Congresso Brasileiro de Reabilitação, em junho de 2009.

3 de jun. de 2009


QUEM TEM O DIREITO DE ESTAR NA BALADA?


Da BBC Brasil: Discoteca na Espanha tem noite exclusiva para deficientes


Domingo é dia de matinê especial em Barcelona. Uma das discotecas mais badaladas da cidade espanhola reserva a noite para que portadores de deficiências mentais possam dançar e paquerar livremente. (...) A matinê especial funciona há um ano e foi criada pela Fundação Ludalia, que auxilia portadores de deficiências mentais. A festa, que começa às 17h30 e termina às 21h, é exclusiva para pessoas entre 18 e 45 anos com Síndrome de Down, paralisia cerebral e outras deficiências.
Mãe de um portador de deficiência mental, a diretora da fundação, Consól Ferrer, afirma que o projeto nasceu por causa da falta de alternativas de lazer para estas pessoas. Segundo ela, alguns lugares "tratam os deficientes de maneira infantil". A ideia da matinê especial surgiu em 2001. A primeira tentativa, no entanto, fracassou quando os organizadores tentaram criar uma noite de integração entre deficientes e pessoas sem deficiências. "Foi um desastre. Ali ficou claro que eles precisavam de um espaço próprio. Eles têm a mesma vontade de dançar, se divertir, estar com amigos e paquerar, como qualquer outro jovem", afirmou à BBC Brasil a monitora Ruth Ruiz. A diretora da Fundação Ludalia também afirma que a experiência fez com que eles decidissem criar uma noite exclusiva para os jovens deficientes. "Sei que parece uma contradição, fazer uma noite exclusiva quando pedimos integração. Mas, misturar jovens deficientes com os que não são para que façam amigos e arranjem namorados, não é um objetivo realista", afirma.
Reportagem completa em:

http://musica.uol.com.br/ultnot/bbc/2009/05/22/ult2628u574.jhtm


Pois é, logo teremos baladas para obesos (afinal, eles podem se sentir intimidados entre magros...); baladas para muito altos, ou muito baixos...
Por que será que a tentativa da “balada inclusiva” fracassou? Será porque os “sem deficiência” ficaram incomodados com a presença dos diferentes? Não se sabe, isso a reportagem não conta.
Diz a diretora da Fundação (e mãe...): “misturar jovens deficientes com os que não são para que façam amigos não é um objetivo realista”...
Aparentemente jovens “deficientes” (SIC) só podem ser amigos de outros jovens “deficientes” e de preferência com o mesmo tipo de deficiência – observem que a tal balada era apenas para pessoas com deficiência intelectual.
O pior preconceito é aquele que se esconde atrás do discurso da beneficência e da proteção: não queremos que eles se sintam rejeitados no mundo cruel, assim vamos criar mundinhos só para eles, pois entre os iguais ninguém perceberá que sua presença, na verdade, é um inconveniente.
É, temos ainda muito o que caminhar para poder, um dia, falar em sociedade realmente inclusiva...

6 de mar. de 2009

sobre iguais e diferentes...


Igual-desigual
(Carlos Drummond de Andrade)

Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são
iguais.
Todos os partidos políticos
são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda
são iguais.
Todas as experiências de sexo
são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou
coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.


Comentando: é desse reconhecimento de que cada ser humano é impar que brota a nossa capacidade de acreditar em cada um deles como possibilidade...

24 de nov. de 2008

VÍDEO SOBRE DEFICIÊNCIA E INCLUSÃO




Entre o ser e o estar,
Entre a idéia e a concretude,
As ações do cotidiano que se perpetuam,
Inclusão, uma escolha de vida.

Barbara Cristina Mello
Terapeuta Ocupacional


Este vídeo foi produzido com a ajuda de muitas pessoas, pois queríamos que diferentes olhares pudessem compartilhar aquilo que fazemos em nosso dia a dia quando acionamos na relações do fazer e do ser.
Agradecemos especialmente a todos os fotógrafos que colaboraram com este projeto, cedendo suas imagens tão preciosas.
Obrigado a todos!

29 de out. de 2008

Terapia Ocupacional - em busca da complexidade do simples




A Terapia Ocupacional é uma profissão da área da saúde, que trabalha com aspectos bastante particulares e, ao mesmo tempo, aparentemente simples da vida humana – as atividades realizadas pelas pessoas em seu cotidiano.
Digo aparentemente simples porque para aqueles que realizam suas ações cotidianas sem grandes dificuldades, ou que encontram, por si, soluções para os obstáculos que vão encontrando ao longo do seu caminho, pensar que um profissional dedica uma vida de estudos e intervenções para compreender atividades, rotinas, cotidiano, pode parecer até banal.
Mas quando pensamos naquelas pessoas que, pelos mais variados motivos, encontram-se de alguma forma impedidas de exercer plenamente suas potencialidades, pessoas que enfrentam obstáculos para realizar aquilo que para nós é tão simples, começamos a nos aproximar da complexidade da Terapia Ocupacional.
Eu construí, há algum tempo, uma frase que venho repetindo ao longo da minha vida profissional, quando quero expressar o que, para mim, é a essência da profissão: ser terapeuta ocupacional é acreditar, incondicionalmente, na possibilidade do outro, na sua capacidade de construir formas de viver plenamente seus sonhos.
E é por acreditar na possibilidade do outro que podemos compreender a complexidade existente naquilo que é, em essência, simples – andar, alimentar-se, trabalhar, brincar, dançar, usar um computador, pintar, vestir-se, banhar-se... ações tão banais e ao mesmo tempo tão cheias de significado na vida de cada um de nós.
Só quando nos deparamos, por exemplo, com alguém que não consegue levar o próprio alimento à boca, dependendo de outro para realizar uma atividade tão íntima como alimentar-se, é que percebemos que as coisas simples do cotidiano são, essencialmente, aquelas que nos significam como sujeitos.
Possibilitar ao outro (re) tornar-se sujeito de sua própria vida – isso é ser um terapeuta ocupacional.
Celina Camargo Bartalotti
Terapeuta Ocupacional